Uma vez eu ouvi que mais importante do que fazer, é começar.
Passei muito tempo tentando me encontrar em todas as áreas da minha vida.
No auge dos 12 anos, quando a gente se entende como um ser humano de respeito na terra, e a adolescência chega, é tudo mais difícil e mais sensível. Tentava me entender como mulher porque eu não gostava do meu cabelo e do meu corpo, tentava me entender como filha porque minha mãe era tão jovem e estava aprendendo a ser adulta. Tentava me entender quando comecei a sentir amor e não fui correspondida. Tentava me entender como pessoa porque sofri bullying dos 7 aos 14 anos.
Sinto que muita coisa mudou quando parei de me questionar e apenas viver a realidade de cada situação. Uma coisa que nós seres humanos fazemos com frequência é questionar muito as coisas, e isso não é ruim! Com a dúvida temos conhecimento, o problema é quando a dúvida vira paranoia, até porque não temos todas as respostas do mundo. Assim, a gente acaba entrando no limbo de trazer para si o problema, quando em muitas vezes, só precisamos entender que as coisas são assim, e o que importa no final é como você lida e reage a isso.
Quando me formei e recebi meu diploma de jornalista, finalmente senti que havia me encontrado em algo que passei anos sonhando, mesmo que no processo eu tenha me perdido e reencontrado, reinventado, tropeçado e até mesmo quase desistido. Sempre soube que o jornalismo e a comunicação eram pra mim, desde que aprendi a ler e escrever, não parei mais. Eu tinha inúmeros cadernos e agendas onde escrevia minhas dores, meus medos, minhas felicidades, minhas desilusões amorosas (jesus, sofri muito quando um bofinho que eu jurava que ia casar aos 13 anos me bloqueou e voltou com a ex!)
Então quando finalmente senti que havia me encontrado, agarrei todo o meu talento e vontade de me reinventar e fiz disso quem eu sou e sempre fui: barulhenta. Amo quando falam que eu falo muito, que eu falo alto, que sou barulhenta, isso me faz sentir como a Laura de 6 anos que ia só de calcinha comprar pirulito na quitanda do lado de casa.
Isso me faz finalmente poder contar o que estou fazendo aqui. O “é sobre isso” estava na minha lista de projetos pessoais há mais de 4 anos, e só agora me senti pronta para colocar pra fora tudo que faz bagunça aqui na minha cabeça. Meu padrasto (in memoriam) sempre me disse que eu era boa demais para as coisas, que eu devia me jogar no mundo e não ter medo, algo que eu tinha demais (e ainda tenho, sou um ser humano com inseguranças), porém hoje em dia eu me enxergo mais forte. Sinto que passei por tantas dores e tive que me resgatar em tantas situações que eu visualizo o medo como parte do processo, não um inibidor de vontades, e isso é graças a ele, te amo tromba.
Fã fact: Meu padrasto me chamava carinhosamente de “trombadinha” desde que me conheceu, e eu comecei a chamar ele de “tromba” consecutivamente. A gente se amava assim, brincando e brigando.

Então eu pensei muito se abriria esse site e postaria meus textos aqui, não é nada engessado, nada com receita. Aqui eu falo sobre experiências de vida te fazendo refletir junto comigo nesse processo, aqui estamos conversando, juntos. Claro que eu vou sempre trazer referências de livros, músicas e principalmente filmes, pois sinto que minha vida só funciona porque o cinema existe.
O nome do site é esse pois, pra mim, é algo que aborda tudo de forma bem singela, como quando você fala horrores no seu grupo de amigas e no fim do áudio solta um “é sobre isso, gente…”.
Tudo que é novo e estranho à nossa rotina assusta, mas a gente só aprende tentando. No filme “Alice no País das Maravilhas”, dirigido pelo gigante Tim Burton, a nossa protagonista, Alice, antes de ir à batalha matar o Jaguadarte, um dragão dez vezes maior do que ela, está completamente apavorada, então a Rainha Branca solta uma das maiores frases do cinema, que ecoa na minha cabeça há anos:
“Alice, não pode viver a vida só para agradar os outros, a escolha tem que ser sua. Porque quando você for enfrentar aquela criatura, terá de ir sozinha.”
Acho que nem vou me estender mais, essa frase resume tudo que eu disse. Sigo matando todos os meus dragões dia após dia, e isso me deixa cada vez mais próxima de quem eu sempre quis ser.
É sobre isso gente, e muito mais.
Tem post todo sábado, beijo!
Laura Cruz.

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