sobre olhar nos olhos quando desviar é mais confortável.

sobre olhar nos olhos quando desviar é mais confortável.

Um dos medos mais incapacitantes é aquele que você não consegue olhar nos olhos.

Recentemente fui ao cinema e assisti à biografia do Michael Jackson, e eu senti muito mais do que empolgação ao ver aquele menino de Gary, Indiana, virando o “Rei do Pop”, dominando o mundo inteiro.

Eu não sei por que, mas desenvolvi um hábito de analisar muito tudo e todas as coisas. Não sei se depois que me tornei jornalista as coisas, para mim, passaram a ter um olhar completamente técnico, e com o cinema não seria diferente. Eu adoro procurar significado nos olhares, na trilha sonora, na cor das roupas, nos diálogos, no jogo de câmeras, tudo pra mim é estritamente planejado e comunica algo. O cinema fala.

Ok, vamos de fato falar sobre a importância de olhar nos olhos quando desviar é MUITO mais confortável.

Acho que não é novidade para ninguém que conheça pelo menos um pouco da história do Michael Jackson que ele não teve uma infância fácil, uma vida fácil. E eu não falo de fama e dinheiro, porque isso ele teve e muito, tanto que ele fez algo que se eu estivesse no lugar dele faria exatamente igual (encher a casa de bichos exóticos e fazer deles minha família).

Eu falo sobre abusos psicológicos tão poderosos que refletiram de forma direta em quem ele se tornou e até mesmo em como ele faleceu.

Atenção! A partir daqui há algumas informações sobre o filme que podem incomodar quem ainda não viu.

No filme, a gente vê o pequeno Michael Jackson já sendo parte do grupo musical formado pelos irmãos, os gigantes “Jackson 5”. E algo que me pegou muito foi a forma como o pai deles, o Joseph Jackson, era muito incisivo e abusivo com os próprios filhos, fazendo-os cantar e ensaiar as apresentações por horas na frente dele, perdendo aula, sem ter tempo de criar laços afetivos ou qualquer coisa que crianças devem fazer na infância.

O que me fez querer abrir o notebook e sair correndo escrever esse texto foi porque durante grande parte dos ensaios o Joseph gostava de assistir e conduzir, e pedia sempre que os meninos olhassem para ele quando cantassem, como se o pai fosse o público, a plateia.

E a nossa estrelinha, o mini Michael de 5 aninhos, era o único que não conseguia olhar o pai nos próprios olhos, algo que incomodava muito a ambos, tanto o pai quanto ele.

Isso me fez refletir sobre todas as vezes em que a gente deixa nossos medos tirarem nossa liberdade, quando a gente tem receio de falar e parece que a garganta fecha, você não consegue olhar nos olhos e dizer o que realmente quer, se impor. E não me refiro somente a pessoas, mas a situações de fato.

Olhar nos olhos de alguém que tem certa influência sobre você e ter que contrariá-la, dizer algo que vai incomodar o outro, não é fácil. Desviar o olhar e renunciar à nossa felicidade, renunciar a nós mesmos é, por incrível que pareça, muito mais confortável. Mas eu e você sabemos que esse não é o caminho certo.

Eu tinha muito medo de me impor nas situações e deixava as pessoas decidirem por mim, deixava elas “passarem por cima”, e até eu mesma passava por cima de mim. Mas isso traz consequências a longo prazo. Você se deixar de lado para agradar o outro ou para se encaixar em lugares que são pequenos para você é a maior traição que você pode cometer, consigo mesmo.

Saiba entender o momento de se impor, saiba dizer “não, eu não quero”, “não, eu não gosto”, “não, eu não posso.” Nem que você vomite depois, o importante é fazer! E não é fácil, como eu disse, a zona de conforto faz a gente se autossabotar, por isso ser pé no chão é desconfortável. Algumas pessoas podem confundir isso com falta de educação, com arrogância, mas no fim é você por você.

É importante saber o momento de se retirar de situações que não fazem mais parte de quem você é ou do que você quer ser. É difícil enxergar isso às vezes porque a gente quer que dê certo, que seja aquilo que o destino preparou pra gente. Mas é preciso saber o momento de anunciar o fim da turnê dos Jackson 5 e seguir a sua carreira solo. 

Obviamente citarei uma fala da obra Peter Pan, a história preferida do nosso Rei do Pop, que era um grande amante do mundo da fantasia.

“Todos os nossos sonhos podem se tornar realidade, se tivermos coragem para persegui-los.”

Vou citar também uma frase que levo comigo desde que vi o filme Cinderela, o live action da Disney de 2015.

“Tenha coragem e seja gentil.”

É possível ser gentil e corajoso, saber se portar e valorizar a si mesmo.

É sobre isso, gente.

Laura Cruz.

One response to “sobre olhar nos olhos quando desviar é mais confortável.”

  1. Ana Ilza Medeiros

    Concordo. Quiçá o nosso anseio de enfrentar nossos medos nos traz esse sentimento de conforto no ”desviar”, quando na verdade é super desconfortável, porque no fundo você sabe que quer encarar aquilo ou aquele alguém, mas só precisa de um incentivo. E apesar do trágico fim do rei, a gente percebe no filme o momento em que Michael decidiu olhar no fundo dos olhos do pai, vencer o medo e seguir em sua carreira solo. Foi essa coragem toda, combinada com toda sua criatividade e bom coração, que o levaram a ter essa fama colossal. Esse sim foi corajoso e nos ensina até hoje nas canções a enfrentar a natureza humana, mesmo que seja com um olhar!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *