sobre ser “casual”.

sobre ser “casual”.

o que é “ser casual” ao se envolver com alguém, se não o medo constante de machucar ou ser machucado de novo?

casualidade

Casualidade é um substantivo feminino que define a qualidade do que é casual, acidental ou imprevisto, referindo-se a um acaso ou eventualidade. Indica algo que pode ou não acontecer, muitas vezes associado ao destino, coincidência ou circunstâncias não planejadas. 

Eu sempre fui do time de pessoas que não acreditava nessa coisa de ser “casual”, que não existe essa possibilidade de você se envolver romanticamente com alguém sem sentir amor, sem querer construir um futuro com ela, sem se entregar emocionalmente, pra mim isso era loucura.

Passei grande parte da minha vida solteira, e a outra metade namorando, fiquei noiva, e depois fiquei solteira de novo. Se ver sozinha depois de muito tempo acompanhada é doloroso, parece que a vida da gente só tem sentido quando estamos acompanhados, parece que existe um buraco que precisa ser preenchido, e isso deixa marcas.

Hoje, depois de quase um ano solteira, eu enxergo a “casualidade” como uma arma de defesa dos machucados, isso em situações mais dramáticas, é claro. Existem pessoas que preferem não assumir relacionamentos sérios por pura escolha, gostam da vida solteira e da facilidade que ela proporciona. Mas aí é que está o pulo do gato: é possível se envolver, beijar, transar, sem sentir nada? Sem imaginar um mínimo futuro quando você deita a cabeça no travesseiro e começa a sua sessão de fanfics com a pessoa? Achei muito específico isso, gente, perdão.

No jornalismo existe uma coisa chamada “imparcialidade”, que pra quem já fez graduação de comunicação e se formou sabe que ela é um mito gigantesco. Nós somos seres humanos com emoções, bagagem de vida, experiências individuais, coletivas, gostos, opiniões e muito mais. É humanamente impossível exercer a profissão de jornalista sem ter um pouco de nós em tudo que fazemos, sem colocarmos nosso coração e nossas vivências nisso, indiretamente, até porque nós fizemos um juramento.

Mas isso se aplica também em como nos envolvemos entre si. Posso estar errada, mas é a forma como eu visualizo as relações. Ser casual com alguém pode ser algo positivo, se os dois estiverem em sintonia, mas a partir do momento que alguém ali pensa demais — desculpa o palavreado — mas fodeu, cara.

Eu já levei muito isso pra terapia porque de fato é algo que tira meu sono, essas questões sociais de relacionamento me deixam maluca. Eu já estive dos dois lados: já me envolvi com pessoas que eu adorava estar, adorava a conversa, o contato, mas eu desenvolvi um bloqueio emocional tão grande que parecia uma onda sempre me derrubando quando eu tentava levantar. Era sobre pensar em amar, mas no primeiro defeito eu me afastava por medo de sentir as mesmas dores que senti no meu relacionamento passado. Por isso, hoje eu acredito fielmente que depois de um relacionamento longo e doloroso a melhor opção é tirar um tempo pra si, pra se entender, se acolher e principalmente se perdoar… coisa que eu não fiz, e não foi por falta de aviso, tá?

Mas eu também já estive do lado oposto, de gostar de verdade da pessoa e ela simplesmente não estar na mesma sintonia. E é aí onde entra uma das maiores questões da casualidade: se vocês não são namorados, se em nenhum momento falaram sobre isso, ou se desde o primeiro momento o outro disse que não estava pronto para algo sério, por que você está tão machucado/a? Por que o sumiço te incomoda? Por que você continua esperando uma mensagem, um outro encontro, quem sabe um pedido de namoro, se você sabe no fundo que isso não vai acontecer?

A casualidade vira um problema quando, PARA VOCÊ, já não é mais casual (autocrítica).

Uma vez conversando com um psicólogo eu tive a verdade despida na minha frente e foi revigorante de certa forma, mas também assustador, quase íntimo demais. Falando sobre cobranças e sobre a facilidade que a vida de solteiro proporciona, chegamos no tópico das relações casuais e sobre como na maioria das vezes sofremos em relações assim por expectativas que colocamos em cima do outro.

“Ele/ela não me ligou mais.” “Me bloqueou.” “Não me mandou mais mensagem.” “Acho que ele/ela não gostou de mim.” “Que babaca.”

Será que isso não são apenas nossas expectativas sendo quebradas após a pessoa não supri-las? Será que isso não é uma frustração que nós mesmos cultivamos dentro de nós? Tudo isso depende também de uma única coisa: comunicação. Se tiver isso, o mundo é muito mais colorido.

Ou não também, porque a verdade machuca, e se a sua verdade for essa, a gente tem que engolir isso com farinha mesmo e seguir. O quão curioso isso é, fico me perguntando se existe um limite de até quando você pode se envolver com alguém sem passar a ideia errada: estar agindo como namorado, estar agindo como ficante, estar agindo como conversante (sim, temos essa nomenclatura agora).

Minha teoria é essa: quem se envolve casualmente, ou já teve o coração partido e agora não quer passar por isso de novo por estar machucado, ou simplesmente tem medo de se envolver profundamente, o que eu não julgo, porque é desgastante e nem sempre a pessoa vale a pena. E como saber se a pessoa vale a pena? Nunca vamos saber.

Dito isso, citarei a gigante Marina Sena (quem me conhece sabe…) que disse tudo na música “Combo da Sorte”.

“Só quem se deu e sofreu sabe a dor, eu não quis nunca mais nem saber de amor, mas quando você chegou foi um combo da sorte.”

“Combo da Sorte” fala sobre se machucar com relações passadas e achar que não é merecedor de mais nada, que o amor não é mais pra você, porém toda a perspectiva muda ao conhecer alguém que se torna um “combo da sorte” pra pessoa. Eu amo a mente dessa mulher.

Tem uma outra também, do cantor Sombr, a música “Back to Friends”. No começo eu achei que ela falava sobre ex-namorados. Mas agora eu enxergo que também fala sobre dois amigos que ficaram em algum momento e agora não estão mais envolvidos romanticamente (se é que em algum momento houve romance nisso). E o trecho que eu estou falando é esse:

The devil in your eyes

Won’t deny the lies

You’ve sold, I’m holding on too tight

While you let go, this is casual

How can we go back to being friends

When we just shared a bed? (Yeah)

How can you look at me and pretend

I’m someone you’ve never met?

Traduzindo:

O diabo nos seus olhos

Não nega as mentiras que você já contou

Estou me agarrando com todas as minhas forças

Enquanto você não faz esforço algum, isso é casual

Como podemos voltar a ser amigos

Quando já compartilhamos uma cama? 

Como você pode olhar para mim e fingir

Que sou alguém que você nunca conheceu?

Apesar de todas essas questões e dúvidas, eu ainda jogo no time que acredita no amor. O amor é uma das coisas mais puras que o ser humano tem dentro de si. A gente não pode deixar experiências ruins moldarem nossos sonhos e o que queremos conquistar. Como eu sempre digo: vamo viver nessa porra.

É sobre isso gente.

Laura Cruz.

2 responses to “sobre ser “casual”.”

  1. Pedro Anti

    Achei demais o texto Laura, profundo e reflexivo.

  2. Ana Ilza Medeiros

    Reflexivo demais e muito sensato. Sobre a casualidade, eu, como uma boa azarada no amor, acho ele lindo, mas também acredito que gosto mais da ideia do amor do que do amor em si…

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *